Estamos no ápice da moda do “gluten free”, isso principalmente porque a eliminação dessa proteína da dieta levaria a uma perda de peso. Mas será que é isso mesmo?
Nesse texto pretendemos desmistificar o glúten e seus “efeitos maléficos”. Vem com a gente!
1. Onde está o glúten?
Ele está presente no trigo, centeio, cevada e aveia. Trocando em miúdos, nos pães, bolos, bolachas e qualquer alimento que leve farinha de trigo, na cerveja, no whisky, no mingau de aveia... Os rótulos dos alimentos também trazem a informação caso contenham a proteína.
2. Quando devo tirar o glúten da minha dieta?
Apesar da restrição indiscriminada do glúten que muitos têm adotado, não existe evidência científica que embase a eliminação dessa proteína da dieta com o intuito de perda de peso.
O glúten só é prejudicial à saúde de uma pequena parcela da população (cerca de 1%) que é portadora da doença celíaca ou que possui alguma outra doença relacionada a essa proteína, como a dermatite herpetiforme ou a alergia ao glúten. Segundo parecer técnico do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN-3), a restrição do glúten só deve ser feita em situações necessárias, mediante diagnóstico clínico que confirme a presença de alguma doença relacionada à proteína.
3. Eliminação do glúten = perda de peso?
A eliminação do glúten da dieta não tem relação direta com perda de peso. Inclusive, estudos com portadores de doença celíaca (confira o resumo de dois deles nos links 1 e 2), ou seja, uma população que obrigatoriamente precisa ter uma dieta isenta de glúten, têm mostrado resultado contrário: observou-se um aumento de peso nessas pessoas.
Você então se pergunta: porque raios me prometeram que a eliminação do glúten me faria “secar” uns 5kg?
Talvez esse mito tenha se alastrado porque eliminando alimentos com glúten reduz-se principalmente a ingestão de carboidratos o que, consequentemente, pode levar a uma menor ingestão calórica. Porém, excluindo esses alimentos, para alcançar uma alimentação equilibrada será necessário substituí-los por similares livres de glúten e estes podem ter um valor calórico igual ou maior que os outros. Sem contar que esses produtos são mais caros!
4. Restringir alimentos fontes de glúten pode ser prejudicial à saúde?
A exclusão desses alimentos, sem necessidade e quando não acompanhada por profissional habilitado, pode levar a uma deficiência nutricional. Pesquisas têm mostrado que pessoas que consomem uma dieta sem glúten apresentam uma baixa ingestão de ferro, folato, niacina (vitamina B3), zinco e fibras.
5. E o que é a tal da doença celíaca?
A doença celíaca é uma enfermidade auto-imune que provoca uma inflamação no intestino, causando diarréia, “inchaço” abdominal, anemia, desnutrição, vômitos, falha de crescimento em crianças, dentre outros sintomas. Por enquanto, o único tratamento disponível para a doença é uma dieta isenta de glúten. Esta restrição é muito difícil de ser seguida, pois o glúten está presente em uma grande variedade de alimentos e muitos outros que não contém naturalmente essa proteína podem conter traços dela por serem produzidos em locais que processam alimentos com glúten (por isso é muito importante atentar para os rótulos dos alimentos!).
É essencial que o portador dessa doença seja acompanhado por um nutricionista para não sofrer deficiências nutricionais decorrentes da exclusão de diversos alimentos.
Analisando-se os dados disponíveis até o momento, podemos concluir que a restrição do glúten é desnecessária e pode até ser prejudicial para pessoas saudáveis. E, além dos aspectos nutricionais, a exclusão do glúten atinge também aspectos sociais da vida. O happy hour fica desconfortável, quando não se pode tomar aquela cervejinha, olhar pra coxinha vira um pecado (e uma tentação) e a macarronada com a família se torna pura tortura...
Além de tudo citado acima, como já falamos por aqui, restrição pode desencadear uma compulsão alimentar que, bem ao contrário do que geralmente é o desejo inicial de quem começa uma dieta, faz ganhar peso.
A receita para se manter saudável continua sendo:
- Comer moderadamente, respeitando seus sinais de fome e saciedade.
- Comer alimentos variados.
- Comer de forma balanceada e com prazer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário