Pense naquela sua passadinha de olho diária pela banca de jornal. Você já se sentiu bombardeado por promessas milagrosas nas capas de revistas de “como perder sete quilos em duas semanas” ou “a dieta da abobrinha”? Nas rodas de conversa, naquele grupo do Whatsapp, surge de vez em quando alguém que jura que encontrou uma dieta ma-ra-vi-lho-sa e diz que você PRECISA seguir que é sucesso certo? Acho que todos já vivenciamos algo desse tipo, não é?
Mas se a dieta X é tão mágica, por que ainda existem tantas pessoas com sobrepeso pelo mundo? Se a dieta Y faz milagre, por que amanhã na banca de jornal encontraremos a dieta Z "fresquinha, sensacional, sua procura acabou"? Em uma rápida busca no Google usando o termo “dieta definitiva”, encontramos 1.090.000 resultados (!). Este número foi ainda maior quando mudamos a busca para “dieta simples” - 3.270.000! Os números são irrefutáveis, não existe dieta decisiva e quanto ao adjetivo simples, pergunte à qualquer senhora de 50 anos que faz dieta desde os 14 se é simples passar fome e se privar das coisas que gosta por anos a fio. Pergunta retórica,né?! Em um post publicado anteriormente aqui no blog, falamos sobre os malefícios que as dietas trazem, Fato é que nosso corpo faz o que pode para poupar energia, e uma restrição alimentar vai acionar mecanismos fisiológicos e psicológicos pra gastarmos o mínimo possível e consumirmos o máximo que pudermos. Porém, o que entendemos é que nós somos um fracasso retumbante quando os números na balança aumentam ao invés de diminuir.
Dieta não!
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| Basta! |
Mas por onde começar?
Depois de tanto ouvir sobre as maravilhas que as dietas fazem e que basta força de vontade para você conseguir “cortar” o glúten, a lactose, os carboidratos, as gorduras e ter um corpo padrão passarela, é normal que pareça complicado iniciar o processo de dizer não à tantas regras e voltar a ouvir os sinais do seu corpo e a apreciar suas refeições. Por isso, as nutricionistas Evelyn Tribole e Elyse Resch, em seu livro Intuitive Eating – A revolutionary program that works, nos ensinam alguns passos para alcançar essa meta.
Passo 1: Reconhecer os danos causados pelas dietas
Para deixarmos as dietas de lado, é importante que realmente consigamos perceber os problemas causados por elas. Temos alguns exemplos já citados aqui no blog baseados em estudos científicos, em nossa prática clinica e na de colegas, mas apostamos que ao olhar para suas experiências, assim como as de amigos e conhecidos, você poderá adicionar mais alguns itens à essa lista. Prejuízo da vida social, mudanças de humor repentinas, deficiência de nutrientes... faça uma lista de como os "regimes" prejudicaram a sua saúde física e psicológica e reflita sobre ela. Depois, pense como dizer não à essa ditadura alimentar traria mudanças positivas para o seu dia a dia e mergulhe no próximo passo.
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| Bom dia pra quem? |
Passo 2: Esteja atento ao modo de pensar característico da mentalidade de dieta
Existem alguns traços do modo de pensar de quem faz e apóia dietas que são sutis, acabam sendo aceitos como normais e por isso muitas vezes são difíceis de serem reconhecidos e combatidos. O duo força de vontade e atribuição de culpa é um bom exemplo disso. Não, não é sua culpa se você falhou ao tentar parar de comer seu alimento preferido para sempre. Se força de vontade fosse a única coisa necessária para que seguíssemos dietas, teríamos um número muito maior de pessoas aderindo permanentemente a elas e com resultados positivos em curto e longo prazo. Nossa alimentação sofre influência de inúmeros fatores, não tente carregar todo esse peso nas suas costas e não aceite que ninguém queira te obrigar a fazer isso.
Passo 3: Livre-se das ferramentas de dieta
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| Olha só o que eu faço com você, revista de dieta! |
Passo 4: Tenha mais compaixão por você mesmo
E se mesmo depois de seguir esses passos eu me pegar pensando em tentar mais um dieta... o que eu faço? Não se torture! Existe muita pressão de todos os lados para que comamos da forma X ou Z, é compreensível que no processo de abrir mão das dietas nos sintamos tentados a olhar para trás e tentar só mais uma vezinha. Aceite que esse pensamento existe e tente relembrar o porquê você decidiu mudar a forma de olhar a comida e fazer as pazes com seu corpo.
Existirão muitos desafios neste caminho, mas a recompensa será muito satisfatória!
Em breve voltaremos com o próximo passo no caminho para se tornar um comedor intuitivo – honre sua fome. Até mais!




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