Essa discussão está progressivamente entrando em nossas cozinhas e cada vez mais pessoas têm parado para pensar nisso.
Entre outros, motivos de ordem ética, saúde e religião levam indivíduos a aderirem ao vegetarianismo. Não entraremos no debate ético ou religioso por motivos de: sua vida, suas regras, mas, como profissionais da saúde, esclareceremos um pouco do aspecto nutricional desse tipo de dieta.
Nós, seres humanos, somos animais onívoros, isso significa que
podemos comer tanto alimentos do reino
vegetal quanto do reino animal. A ciência da nutrição preconiza o consumo de todos os grupos alimentares para se ter uma dieta equilibrada, porém antes de pensar nos nutrientes, há que se respeitar a individualidade e escolha de cada um.
E considerando a fisiologia lembremos que:
1. qualquer dieta mal planejada pode causar
danos à saúde.
2.sim, a dieta vegetariana pode prover todos os
nutrientes necessários para nosso crescimento, desenvolvimento e manutenção.
Essa terceira declaração tem o respaldo da Associação Dietética Americana (ADA), segundo a qual uma dieta vegetariana (inclusive a estrita) bem planejada é apropriada para as pessoas em qualquer estágio da vida, ou seja, mulheres grávidas, crianças, idosos, todos podem seguir esse tipo de dieta sem acarretar prejuízos ao desenvolvimento ou manutenção da saúde.
Corroborando com a ADA, o Conselho Regional de Nutrição 3 (CRN3) emitiu um parecer dizendo que a dieta vegetariana, como qualquer outra, é segura com o devido planejamento.
Assim, além de respeitarmos o
vegetarianismo enquanto escolha ética, podemos afirmar com o suporte de prestigiadas instituições que ele não traz prejuízos nutricionais.
Posto isso, vamos falar um pouco sobre o vegetarianismo e a comida, ponto nevrálgico para quem decide adotar esse estilo de vida.
Aqui vai uma boa nova: nem só de soja vive o vegetariano! De fato há diversas outras alternativas. Sites como este e este estão cheios de receitas gostosas para que não se perca o prazer de comer. Vasculhando internet afora é possível encontrar ainda mais possibilidades. Então com um certo planejamento (e não se pode negar, é necessário separar um tempo para isso) é possível comer coisas gostosas e se nutrir adequadamente.
Alguns nutrientes como vitamina D, zinco, cálcio e principalmente a vitamina B12 precisam de uma atenção especial nesse tipo de dieta (principalmente na estrita), por isso deixaremos aqui algumas recomendações para ajudar nessa transição. Mas o acompanhamento individual com um nutricionista é muito importante, pois cada organismo é único e é necessário conhecer a pessoa, estar de posse de seus exames bioquímicos e familiarizado com sua rotina para uma orientação apropriada.
1. A principal recomendação é a adoção de uma dieta amplamente variada. Essa é a melhor forma de garantir que se receba o necessário aporte de nutrientes.
2. Procure ingerir alimentos enriquecidos com cálcio, como leite de soja e tofu.
3. Verifique com seu nutricionista a necessidade de suplementação com vitamina B12, procurando por suplementos cujas cápsulas sejam feitas com algas em vez de colágeno (produto animal).
4. É importante consumir nozes, acrescentar óleos de soja ou canola às preparações, pois eles são boas fontes vegetais de ômega 3 .
6. A exposição ao sol é a melhor forma de conseguir vitamina D. Como moramos em um país tropical (abençoado por Deus e bonito por natureza) não é difícil obtermos os benefícios da luz solar. Uns 15 minutos ao sol antes das 10 da manhã é interessante para produção da vitamina D.
Agora recado para aqueles que acham que a dieta vegetariana é sinônimo de saúde e baixo peso: não é bem assim. Como já falamos um sem número de vezes nesse blog, não existe dieta ou alimento mágico que garantam que você seja absolutamente sadio até os 90 anos. O vegetarianismo não é exceção. Nele se exclui produtos de origem animal, mas temos gorduras vegetais. Não é uma dieta isenta de calorias ou açúcares. E está tudo bem! Seja você onívoro ou vegetariano, prazer, equilíbrio e variedade continuam sendo as palavras de ordem.

